sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Operação anticontrabando leva 29 policiais para a cadeia no PR

Fotos: Christian Rizzi/ Gazeta do Povo / Cerca de 560 agentes da Polícia Federal deram suporte à operação no Paraná e em mais cinco estados: foi a maior ação da história desencadeada para prender policiais envolvidos com o crime
Pelo menos 29 de 43 policiais acusados de cobrar propina para liberar veículos carregados com mercadorias contrabandeadas do Paraguai foram presos pela Polícia Federal (PF), ontem, no Paraná e em mais cinco estados durante a Ope­ração Láparos. A ação, desencadeada por 560 agentes da PF, também resultou na prisão de pelo menos 40 contrabandistas ligados a 16 quadrilhas, a maioria responsável pelo transporte ilegal de cigarro do Paraguai para o Brasil. Foi a maior ação da história para prender policiais no Brasil.
Ao todo foram expedidos 108 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão pela Justiça Federal em Guaíra e Umuarama (Oeste do estado). Entre os mandados expedidos, 13 eram para a detenção de policiais civis, 29 militares e um policial rodoviário federal.

De acordo com o último balanço da operação, divulgado por volta das 18 horas, 14 policiais continuavam foragidos. Das 69 prisões, 36 ocorreram em Guaíra, 17 em Cascavel, oito em Maringá, cinco em Londrina e três em Foz do Iguaçu. A operação contou com o apoio do Ministério Público do Paraná, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Corre­­gedoria Regional da Polícia Rodoviária Federal.
Segundo as investigações da PF, que duraram 14 meses, os policiais envolvidos com as quadrilhas atuavam em rodovias, estradas rurais e vias secundárias das Regiões Oeste, Noroeste e Norte do Paraná. Eles liberavam veículos carregados principalmente com cigarros e agrotóxicos, fora e durante o horário de expediente. Os produtos eram transportados via Lago de Itaipu e depois colocados em caminhões e automóveis para serem vendidos em outros estados. “Eles aproveitavam o movimento de contrabando na região para solicitar vantagens indevidas”, explicou o delegado responsável pelas investigações, Fábio Tamura.
Os policiais também repassavam às quadrilhas informações sobre eventuais ações da PF para coibir o contrabando, prejudicando o trabalho da corporação, segundo Tamura. A maior parte dos policiais detidos trabalhava na cidade de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná. Conforme o delegado, alguns policiais recebiam propina por mês e outros ganhavam a cada carga liberada. A polícia não informou quanto eles cobravam. Os veículos usados pela quadrilha eram adquiridos em nomes de laranjas que fraudavam contratos.
Mandados
Até o fim da tarde de ontem, nem todos mandados de prisão haviam sido cumpridos, mas as buscas continuavam. Um balanço oficial da operação deve ser divulgado somente hoje pela PF.
A investigação que resultou nas prisões começou há um ano e dois meses. Neste período, a PF já havia prendido 202 pessoas e apreendido mais de 3 milhões de pacotes de cigarros, além de 6,5 toneladas de agrotóxicos, 109 caminhões, 76 automóveis e 13 embarcações.
O Paraná foi o epicentro da operação, que incluiu ações em 38 cidades. A polícia também efetuou mandados em Curitiba e nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso.Os presos vão responder pelos crimes de contrabando e corrupção policial.
Gazeta do Povo

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