Fonte: AEN - Foto: Fundação Araucária
Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) propõe uma solução inovadora que pode transformar atendimentos de emergência: um curativo capaz de identificar o tipo sanguíneo em até dois minutos, diretamente no local, sem a necessidade de exames laboratoriais.
O projeto foi um dos finalistas do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), do Governo do Estado, que apoia pesquisas de universidades para que se transformem em serviços e produtos inovadores. As inscrições para o Edital atual seguem até 22 de abril.
Batizada de Blood-Aid, a tecnologia utiliza anticorpos impregnados em um material semelhante a um curativo comum, permitindo detectar os sistemas ABO (tipos A, B e O) e o fator Rh (positivo ou negativo) de forma rápida e visual. A leitura do resultado ocorre por meio da formação de letras e sinais no próprio material, facilitando a interpretação até por profissionais não especializados.
O projeto está na etapa final de desenvolvimento do curativo, com foco na otimização da visualização dos tipos sanguíneos para garantir uma leitura cada vez mais clara e precisa.
“Avançamos agora para a fase de validação, com a realização de testes rigorosos que assegurem a confiabilidade da detecção. Concluída essa etapa, o próximo passo será estabelecer parceria com o setor industrial para viabilizar a produção em larga escala e ampliar o acesso à tecnologia”, explica o coordenador do projeto e professor do Departamento de Microbiologia do Centro de Ciências Biológicas da UEL, Gerson Nakazato.
De acordo com o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, o Programa Prime tem um papel estratégico ao aproximar a pesquisa científica das demandas reais da sociedade. “Ao apoiar iniciativas como o Blood-Aid, estamos incentivando não apenas a geração de conhecimento, mas a transformação desse conhecimento em soluções concretas, com potencial de mercado e impacto direto na vida das pessoas.
O Blood-Aid surge diante de um problema relevante: cerca de 40% da população brasileira não sabe qual é o seu tipo sanguíneo, informação essencial em situações críticas como acidentes com hemorragia, quando a transfusão precisa ser imediata e compatível.
A expectativa é que a inovação contribua para salvar vidas, especialmente em regiões com acesso limitado.
“Especialmente em regiões remotas ou de difícil acesso, não há suporte de laboratório clínico. Nessas situações, o curativo pode ser utilizado para identificar rapidamente o tipo sanguíneo antes de uma transfusão, contribuindo para decisões mais seguras. A tecnologia também tem grande potencial de uso em ambulâncias e atendimentos de emergência”, analisa a pesquisadora e também coordenadora do projeto, Renata Kobayashi.
Segundo o diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, o Prime é uma política pública importante para consolidar a integração entre o ambiente acadêmico e as demandas do setor produtivo.
"Ao conectar o conhecimento gerado nas universidades às necessidades reais do mercado e da sociedade, o Prime contribui para acelerar tecnologias inovadoras como o curativo Blood-Aid, assegurando que o investimento público em pesquisa se transforme em produtos disponíveis para a população, com ganhos expressivos em redução de custos no sistema de saúde e fortalecimento da autonomia científica paranaense", afirma o gestor.
O projeto combina conhecimentos de hematologia, biotecnologia e nanotecnologia. Para aumentar a precisão da leitura, os cientistas utilizam nanopartículas de ouro associadas aos anticorpos, o que intensifica a visualização dos resultados.
Além do curativo, a equipe também desenvolveu um kit complementar de detecção sanguínea, que inclui sistema de coleta e aplicação do material. Parte superior do formulário

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